Bom dia!

Agora existe um anel que mede sua pressão arterial;

O David Beckham levantou 1 bilhão de dólares sem vender um pedaço da empresa, a Chiquinho colocou 40g de proteína dentro do milk shake e um chip do tamanho de um grão de arroz quer aposentar a caneta semanal.

Ah, e 20 minutos em contato com a natureza fazem pelo seu cortisol mais do que boa parte dos programas de bem-estar corporativo…

E isso é só um pouquinho do que você vai ver por aqui!

Edição 59 no ar. Se você está lendo isso enquanto toma café, a sexta já começou do jeito certo. Marca a @ofitfeed que o estagi precisa dormir tranquilo hoje.

Vem com a gente.

O melhor remédio está no movimento que você escolhe repetir todos os dias

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NO JORNAL DESSA SEMANA:

💍 A Vital Signals lançou o Signal Ring, o primeiro anel que promete medir pressão arterial sem manguito.

💰 A IM8, healthtech de nutrição do David Beckham, captou US$ 1 bilhão sem entregar um ponto de equity.

🍦 A Chiquinho se juntou à Growth e colocou nove produtos proteicos no balcão da sorveteria.

💊 A Vivani criou um chip de semaglutida que troca a injeção semanal por uma aplicação por ano.

🩸 Um exame de sangue identificou endometriose com mais de 95% de precisão.

POR DENTRO DA SEMANA

💍 O anel que quer tirar o manguito do seu braço

Medir pressão sem manguito é a promessa mais repetida e menos cumprida da indústria de vestíveis. A Vital Signals diz ter chegado lá: o Signal Ring monitora sistólica e diastólica com a mesma precisão de um medidor tradicional, segundo a empresa, sem calibração e sem medição manual.

A diferença é de categoria, não de recurso. O que o seu pulso faz hoje é apontar tendência. O Apple Watch e companhia avisam que tem algo estranho no padrão, mas não entregam um número em que o cardiologista confia. Entre sinalizar risco e medir pressão existe uma distância enorme, e é ela que separa gadget de bem-estar de dispositivo de saúde.

O anel foi desenhado pra quem já tem hipertensão ou está em risco. Ele mostra a variação da pressão ao longo do dia e também durante a noite, quando nenhum aparelho de braço chega sem te acordar. O valor não está só na precisão, está na continuidade.

US$ 400 e sem assinatura, cutucada direta no modelo da Oura. Óbvia demais pra ser acidental: a Vital Signals está dizendo que o produto se paga pelo hardware e pelo dado clínico, não pela mensalidade.

💰 Beckham levantou US$ 1 bilhão sem vender um pedaço da empresa

A IM8, healthtech de nutrição fundada por David Beckham com Danny Yeung (o criador da Prenetics), captou US$ 1 bilhão do Customer Value Fund da General Catalyst. Não é rodada, não é equity, não é diluição. É uma estrutura parecida com crédito, com um destino só: cliente novo.

Como funciona: o fundo cobre até 70% do custo de aquisição de novos consumidores. Em troca, leva uma parcela limitada da receita gerada por essa base até recuperar o investimento e o retorno combinado. Depois disso, a receita daqueles clientes volta inteira pra empresa.

Na prática, o fundador queima um bilhão em marketing e continua com o mesmo pedaço do negócio. A conta só fecha se custo de aquisição e valor de vida útil do cliente forem previsíveis o bastante pra virar planilha. É crédito lastreado em comportamento de consumidor, e o bem-estar por assinatura acabou de virar colateral.

O produto explica o resto. Lançada em 2024, a IM8 troca a gaveta de cápsulas por uma bebida diária com mais de 90 ingredientes entre vitaminas, minerais, probióticos, antioxidantes e adaptógenos. O inimigo não é o concorrente, é a fricção: a promessa não é fazer mais, é fazer menos vezes.

Os números permitem a aposta. Venda 100% digital, direto ao consumidor, por assinatura recorrente e mais de US$ 100 milhões em receita recorrente anual no primeiro ano de operação, segundo executivos ligados à companhia.

🍦 A Chiquinho colocou 40g de proteína no milk shake

A proteína saiu da academia, passou pela padaria e agora sentou no balcão da sorveteria. A Chiquinho fechou uma parceria inédita com a Growth Supplements e colocou nas lojas do país, na quarta (15), uma linha exclusiva com nove produtos proteicos entre milk shakes, shake mix e smoothie. Alguns chegam a 40g de proteína.

Repare que nenhum sabor é novo. Chocolate, morango, duo chocolate, leite em pó, maracujá in natura, banoffee, farinha láctea com banana. A jogada não é criar demanda, é hackear a que já existe: você já entra na loja querendo o milk shake. A linha só resolve a culpa que vem depois.

Do outro lado, a Growth atravessa a fronteira que separava suplemento de sobremesa. Sair da prateleira da loja de nutrição esportiva e entrar num varejo alimentar de presença nacional é virar de canal. Marca de suplemento disputando o impulso, não a disciplina.

O teste de verdade é o Smoothie Proteico, feito à base de açaí e sem sorvete. Ele não é uma sobremesa com proteína adicionada, é outro motivo pra entrar na loja. Se performar, a Chiquinho descobre que existe gente disposta a cruzar a porta sem estar atrás de indulgência e isso muda frequência, ticket e quem é o cliente da rede.

Zoom out: pro mercado, essa ambiguidade é o ativo. O produto vende prazer e entrega um álibi nutricional no mesmo copo. Proteína virou linguagem de consumo, não categoria de nicho — o bem-estar agora é menos sobre abrir mão e mais sobre reformular o que você ia consumir de qualquer jeito.

💊 O chip que quer aposentar a caneta semanal

A Vivani Medical está desenvolvendo o NPM-139, um implante de semaglutida colocado embaixo da pele pra tratar obesidade e diabetes. Em vez de aplicar a caneta toda semana, a pessoa colocaria o chip uma ou duas vezes por ano.

O funcionamento é engenhoso: um reservatório de titânio cheio do remédio, com uma membrana de milhões de canais microscópicos que liberam a substância aos poucos, ao longo de meses. Mesma lógica do implante anticoncepcional.

A tecnologia atraiu peso pesado. A Novo Nordisk, dona do Ozempic e do Wegovy, vai testar o chip e comparar a eficácia dele com a da caneta. Em roedores, o implante reduziu o peso em 20% depois de um ano.

🩸 O exame de sangue que pode encurtar anos de espera

Um novo exame identificou endometriose com mais de 95% de precisão, segundo pesquisa publicada na semana passada no European Journal of Endocrinology.

A ideia é simples. O teste mede andrógenos no sangue e encontra uma assinatura hormonal clara em mulheres com a condição, em que o tecido do útero cresce fora dele e causa dor crônica e infertilidade. Quem tem endometriose apresenta níveis elevados de DHEA, testosterona e 11-cetotestosterona — e o modelo preditivo dos pesquisadores acertou em mais de 95% dos casos num grupo separado de participantes.

Por que importa: hoje o diagnóstico só é confirmado por laparoscopia, procedimento cirúrgico com anestesia geral. A mulher média espera anos entre os primeiros sintomas e a resposta, passando por consultas e exames desnecessários no meio do caminho.

Zoom out: a ciência está descobrindo que a endometriose é mais complexa do que se pensava, e formas melhores de diagnóstico estão a caminho. Enquanto isso não chega, procurar um especialista em reprodução e documentar padrões de dor continua sendo o caminho mais curto pra uma resposta.

💡 O adesivo de LED que quer matar a espinha antes de ela nascer

As máscaras de LED viraram febre no skincare com promessa de pele mais firme e menos inflamação, sem dor e em casa. Agora a tecnologia coube no bolso.

A holandesa Silk'n lançou o LumiGlow, um aparelho de luz LED compacto com um objetivo específico: acalmar a inflamação da acne na hora e impedir que a espinha evolua pra aquela dor difícil de tratar. Tratamento local, indolor, em poucos minutos.

🔮 A WBC anunciou um encontro que vai antecipar o futuro do mercado wellness

O próximo WBC Talks é dia 22 de julho, às 19h, online. E o tema é um só: enxergar o movimento antes dele virar óbvio.

Na mesa, duas pessoas que vivem de ler o futuro do consumo.

Camila Cover, da WGSN Brasil, a maior consultoria de tendências e comportamento de consumo do mundo.

Fernando Ruas, CEO da Naturaltech, a principal feira de negócios da América Latina para produtos naturais, orgânicos e de bem-estar.

Os dois vão mapear as mudanças de comportamento e as oportunidades que vão moldar o wellness nos próximos anos.

É um encontro pra quem empreende, lidera ou trabalha no setor e não quer só acompanhar o mercado. Quer chegar antes dele.

As vagas são limitadas.

FAST FEED

Notícias do feed da semana que merecem sua atenção:

🧘‍♀️ FDA aprova novo comprimido que ajuda a reduzir os níveis de colesterol

🏋️‍♂️ Cientistas japoneses descobrem bactéria de sapo que elimina o câncer

🖊 Pesquisadores do Reino Unido criam curativo à base de plantas que libera antibiótico na ferida

PROTOCOLO DA SEMANA

🛒 As marcas de comida estão reformulando os produtos porque o GLP-1 tirou a fome de todo mundo

Esqueça a balança. O efeito mais silencioso e mais caro dos GLP-1 não está no espelho, está no carrinho de supermercado.

Nos Estados Unidos, dados da Circana mostram que os lares com usuários desses medicamentos, hoje 23% das residências do país, podem responder por 35% das unidades vendidas de alimentos e bebidas até 2030. Uma minoria decidindo mais de um terço do jogo.

A lógica é direta. Menos apetite, paladar diferente, menos lanches no dia. O golpe cai em cheio em salgadinho, doce, biscoito e bebida açucarada, tudo que foi construído sobre o impulso. Do outro lado ganham espaço carne, ovo, laticínio, iogurte e vegetal. Quem construiu marca vendendo volume descobriu que o volume não vota mais.

O prazer não saiu de cena, mudou de tamanho. A Lindt identificou que as vendas de chocolate premium para usuários de GLP-1 nos EUA cresceram quase 17% em 2025, contra 6,5% entre quem não usa. O público não abandonou o chocolate: trocou a porção grande por uma experiência menor e mais especial.

A Nestlé leu o mesmo movimento e lançou a Vital Pursuit, linha de congelados de porção controlada, rica em proteína e fibra, mirando quem usa a caneta. Também está reformulando receitas (o Milo entre elas) e apostando em sabores mais intensos, com ervas e especiarias, resposta às alterações de paladar que parte dos usuários relata.

Aqui mora a armadilha: encolher a embalagem sem entregar valor percebido é redução de produto, e o consumidor enxerga na hora. Encolher com nutriente melhor e comunicação clara é reposicionamento. A diferença entre as duas coisas vale market share.

No Brasil, a torção é outra. A NielsenIQ mostra que 84% dos lares que compram injetáveis à base de GLP-1 relatam impacto moderado ou alto nas finanças. A caneta não entra no orçamento sem empurrar alguma coisa pra fora. E a base cresce rápido: levantamento da Scanntech aponta alta de 239% nas vendas de canetas emagrecedoras por aqui, com atenção pro mercado informal.

O dominó não para na comida. No vestuário americano, a Bernstein estima até US$ 13 bilhões adicionais em vendas anuais, e 80% dos usuários ouvidos pela Circana esperam ter que renovar o guarda-roupa.

VOCÊ SABIA?

🌳 20 minutos perto da natureza derrubam seu cortisol

E se a intervenção de bem-estar mais eficiente da sua empresa custasse exatamente zero?

Um estudo publicado na Frontiers in Psychology mostrou que bastam 20 minutos perto da natureza pra reduzir de forma significativa o cortisol, o hormônio do estresse. Os pesquisadores batizaram a descoberta de pílula da natureza.

A dose tem tamanho. Liderada pela professora MaryCarol Hunter, da Universidade de Michigan, a pesquisa foi atrás de quanto tempo é suficiente: uma única experiência de 20 minutos já derruba o cortisol, e entre 20 e 30 minutos sentado ou caminhando num lugar que passe sensação de natureza a queda acontece em ritmo ainda maior. Depois disso os benefícios continuam, mas mais devagar.

Como chegaram lá: oito semanas, contato com a natureza por pelo menos 10 minutos, três vezes por semana, com liberdade pra escolher hora, duração e lugar. Saliva coletada antes e depois, a cada duas semanas. As regras eram duras: só à luz do dia, sem exercício aeróbico e longe de rede social, internet, ligação e leitura. A ideia era achar a dose ideal dentro da vida real, com toda a correria dela.

Zoom out: enquanto o mercado corre atrás de solução cara e tecnológica, a ciência aponta que 20 minutos ao ar livre podem ser a prescrição mais custo-eficiente que existe. O programa de saúde do futuro talvez seja menos sobre gastar mais e mais sobre devolver às pessoas algo simples que a rotina urbana tirou delas.

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